Inspeção em bairros populares

Trajeto

Nesta inspeção, procuramos levantar as condições das vias para pedestres nos bairros Cidade Nova, Pau Miúdo, Baixa de Quintas e Barbalho. Certamente, as irregularidades não ficam restritas as imagens que apresentaremos – a quantidade de problemas é tão grande que se tornaria inviável apresentar todos aqui.

Cidade Nova, é um bairro predominantemente residencial, que ainda preserva características do início do século XX  – com muitos casarões. Possui uma população de 17 mil habitantes, que correspondem a 0,7% da população de Salvador. Os chefes de família deste bairro, em 32,9%, possuem de 11 a 14 anos de estudo – conforme o estudo “Caminho das águas em Salvador”.

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Figura 1 – Má educação dos moradores: impede uso de equipamentos públicos.

Único telefone público do bairro, tornou-se ponto de lixo. A pessoa que utiliza a rua Primeiro de Janeiro, é obrigada a andar na pista porque a calçada é tomada por essa porcaria. Mas adiante, percebe-se um veículo estacionado, o morador da residência em frente é o proprietário do veículo e crê que aquela faixa da calçada é sua garagem oficial..

Na rua Sete de Janeiro, as calçadas estreitas servem de estacionamento para os veículos. Neste caso a única alternativa é utilizar a pista. Questionar proprietários dos veículos, é comprar briga com vizinho. A mentalidade reinante é, minha casa é a da frente, logo possuo mais direitos sobre este passeio.

foto 2Figura 2 – Veículos particulares roubam espaço do pedestre.

Esta imagem é da mesma rua, aqui já notamos os moradores utilizando a pista ao invés da calçada. Essas casas possuem garagem, contudo número de veículos por família é alto. Assim, sempre um dos carros ficam em frente a garagem da residência – ocupando a calçada.

foto 3Figura 3 – Sem alternativa, moradores transitam pela pista.

Passeio da Rua Vinte e Cinco de Dezembro, aqui notamos a má qualidade da calçada. Quando não são veículos estacionados, o motivo para andar na pista, são os buracos no passeio.

foto 4Figura 4 – Estrutura precária, rouba direito à cidade de deficientes e idosos.

Em Pau Miúdo, bairro residencial (21 mil habitantes) que possui um comércio mais forte e vias de veículos mais intensas. Pedestres arriscam a vida na ladeira da Rua Marquês de Maricá na ligação com a avenida Barros Reis.

Nesta ladeira é frequente a subida e descida de veículos pesados, mesmo sendo proibido. À esquerda, não existe passeio o que vemos é uma mureta de proteção construída pelos moradores dessas residências. O pedestre divide com os veículos a pista, em geral são centímetros que afastam a pessoas dos carros. Atropelamentos são frequentes nesta localidade.

foto 5Figura 5 – Sem calçada, sem segurança.

Esta imagem, mostra bem o perigo que o pedestre enfrenta. Na ladeira não há mínima condição de uso pessoas com dificuldades de locomoção, como deficientes ou idosos.

foto 6Figura 6 – Carros e transeuntes, lado a lado. Amizade?

No final da ladeira, já na ligação com a avenida Barros Reis, o passeio que existe é de uma largura inferior a 50 cm, no meio existe um poste, não deixando outra opção, senão o uso da pista. Este ponto é uma curva, onde os veículos imprimem uma aceleração maior para subir a ladeira. Não são poucos os atropelamentos que ocorrem neste trecho.

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Figura 7 – Combinação perigosa: calçada estreita e poste mal posicionado.

Na Baixa de Quintas, bairro iniciado por Jesuítas portugueses no século XVI – construção histórica é a Casa de Campo do Colégio da Bahia, hoje utilizado pelo Arquivo Público da Bahia. Com uma população de 2 mil pessoas, tem suas calçadas ocupadas por muitos veículos. A justificativa, para tantos veículos, são as tradicionais lojas de autopeças e manutenção localizadas à Rua General Argôlo e Avenida Glauber Rocha.

Esta imagem é da 5ª Rua dos Lázaros, nos pontos entre a Av. Glauber Rocha e a R. Gen. Argôlo. A localidade ganhou nos últimos anos mais um fator complicador: construção da via expressa – note ao fundo um dos viadutos.

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Figura 8 – Em vias de grande circulação, moradores são expostos a acidentes.

Esta imagem é da Rua General Argôlo, após a construção da avenida Glauber Rocha, a rua passou a ter único sentido, mas os problemas de sempre permaneceram. Como o desrespeito as regras de trânsito, curiosamente a fiscalização não ocorre nesta rua. Não é raro ver pedestre andando pela pista.

foto 9Figura 9 – Desrespeito às regras de trânsito.

O Barbalho, um dos bairros históricos da cidade. Guarda, no passado de suas ruas muitos batalhas em prol da Independência do Brasil – conta com algumas construções do ano de 1630. Entre os anos 40 e 60 do século XX, passou por uma modernização arquitetônica, o bairro tem uma população de 9 mil habitantes. Em geral os passeios são estreitos e ocupados por veículos particulares.

Esta imagem é da Ladeira do Jacaré, onde encontra-se com muita facilidade carros estacionados sobre a calçada, nos dois lados da rua. Novamente ao pedestre só resta competir com os carros um pouco de espaço nas pistas.

foto 10Figura 10 – Proprietários de veículos particulares, são os donos da rua.

Como o bairro possui muitos casarões antigos, poucos foram modificados para comportar garagem. Somado a isto, inexistência de placas de trânsito com proibição, torna comum imagens como esta da Rua dos Perdões.

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Figura 11 – Falta de placa de trânsito, valida erro de mal educado em bairro histórico.

Na Rua dos Adobes, os passeios estreitos são alvo de disputa por pedestres, postes e carros.

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Figura 12 – Desrespeito com pedestre, revela descaso do poder público.

Não resta dúvida da dificuldade do pedestre na utilização das calçadas. O quadro poderia ser revertido, com campanha de conscientização dos proprietários de veículos e intervenção do poder público nestas questões, sobretudo com investimentos de requalificação e manutenção das calçadas e fiscalização do lixo e veículos.

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