Mobilidade na Universidade!

Não precisamos caminhar muito para notar que na cidade de Salvador a maioria dos passeios não está preparado para atender as necessidades dos pedestres portadores de algum tipo de deficiência. Mas será que dentro dos limites e do entorno de uma das mais importantes instituições de ensino do estado existe acessibilidade para todos os estudantes?

Na Universidade Federal da Bahia é comum que os estudantes se desloquem com frequência entre os diferentes institutos, pavilhões e escolas para assistirem suas aulas. Essa demanda gera a necessidade de uma infraestrutura que atenda o trânsito desses estudantes entre os prédios e o entorno dos campi.

Neste post será feita uma análise pontual sobre a acessibilidade de um cadeirante entre os prédios do campus da UFBA de Ondina. Para isso, foi feita uma simulação na qual um membro de nossa equipe se colocou no lugar de um cadeirante para avaliar as condições dos passeios desde a entrada principal do campus na Av. Adhemar de Barros (ponto A – Ponto B) ao Pavilhão de Aulas da Federação l – PAF I(Ponto B – Ponto C)

Sem títuloPonto A – Ponto B

sPonto B – Ponto C  

O nosso cadeirante chegou ao portão principal ponto A de Ondina utilizando o BuzUFBA, uma linha de ônibus que transporta gratuitamente os estudantes da UFBA entre os diferentes campi e possui a acessibilidade necessária para o transporte de portadores de deficiência física, como pode ser visto no vídeo abaixo.

Posteriormente fizemos o trajeto em direção ao PAF I, passando pela calçada que circunda o campus. Durante os primeiros metros foi possível transitar sem grandes problemas, apesar de faltar sinalização adequada para atender à todo tipo de público, como pontuado no nosso post sobre o Design Universal.

No primeiro momento, o nosso integrante não teve dificuldades
No primeiro momento, o nosso integrante não teve dificuldades

O trajeto em boa qualidade durou pouco. Logo após sair da área que serve como terminal do BuzUFBA, o estado do passeio piora a cada metro caminhado. Até a entrada da universidade foi impossível transitar utilizando a cadeira de rodas devido à existência de vários pontos onde as raízes das árvores crescem para fora do passeio deformando a pavimentação. Neste caso, vale ressaltar que a escolha dos materiais para a construção do passeio, bem como o projeto da obra e do paisagismo são etapas importantes para uma calçada de qualidade, dificultando que problemas como este aconteçam.

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Com muita dificuldade, nosso voluntário conseguiu passar pelos obstáculos, tendo que descer do passeio e continuando o trajeto pela pista, arriscando-se em meio aos veículos que por ali transitavam. Chegando ao portão de entrada da UFBA que dá acesso ao PAF I, a qualidade do passeio melhorou, tomando padrões mais acessíveis e de melhor qualidade. A partir desse ponto notamos, inclusive, a existência de sinalização e de pisos táteis que dão aos deficientes visuais a segurança necessária para caminharem pela calçada.

Dentro da Universidade as condições são melhores
Dentro da Universidade as condições são melhores

Dentro do campus, as condições dos passeios analisados foi considerada boa no ponto de vista da acessibilidade, pecando apenas na falta de sinalização. Vale ressaltar que esta área do campus passou por uma reforma há pouco tempo.

Finalmente, ao chegar no prédio onde são ministradas as aulas no PAF I, as condições de acessibilidade continuaram satisfatórias. Rampas,  corrimãos, sinalização adequada,  elevadores e banheiros específicos. Uma das poucas dificuldades encontradas foi em relação à inclinação das rampas que dão acesso ao prédio, muitas delas bastante íngremes, dificultando o acesso de pedestres com deficiência motora.

Através dessa simulação foi possível observar como a qualidade dos passeios pode influenciar na vida acadêmica dos estudantes e possui extrema importância na circulação de alunos, professores e funcionários entre os prédios da universidade. Notamos que os passeios no entorno da UFBA encontram-se em péssima qualidade dificultando a chegada e saída dos pedestres. Já dentro do campus universitário analisado, o cenário é mais positivo e esperançoso, atendendo às necessidades básicas dos pedestres com dificuldades de locomoção. Além de acessível, os funcionários do prédio se mostraram bastante solícitos, oferecendo-se para solucionar qualquer problema que porventura pudesse dificultar o acesso de deficientes às salas de aula.

Apesar de tratar-se de um estudo de caso resumido a uma pequena área, podemos notar que mudanças são necessárias. É preciso pensar de forma universal, para que os passeios possam atender ao público de pedestres em geral pensando-se também nas dependências e entornos das localidades, uma vez que não adianta uma boa infraestrutura interna se os arredores, vias de chegada e de saída não são capazes de comportar a demanda do local.

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