Arquivo da categoria: Análise, artigo ou opinião

A vítima pode ser qualquer um de nós

Quantas vezes você, pedestre, não precisou durante seu trajeto sair da calçada, devido a ocupação indevida ou a péssima qualidade para transitar na mesma? Tomar o caminho através da faixa de rodagem reservada aos carros acarreta sérios riscos a integridade física e a própria vida dos cidadãos.

O número estimado de acidentes que ocorrem por dia nas calçadas de SP é em torno de 300 por dia devido o mau estado das calçadas na capital paulista, os dados são fornecidos pelo Hospital das Clínicas. Os cidadãos mais afetados pela problemática são crianças, idosos e indivíduos de mobilidade reduzida. Não é de hoje, muito menos são poucos, os casos de pessoas com dificuldade de locomoção que evitam sair de suas residências para ocuparem o espaço público com medo de sofrerem acidentes nas calçadas de suas cidades.

Um caso que tomou notoriedade recentemente aconteceu no Rio de Janeiro. A atriz Beatriz Segall tropeçou em um buraco de uma calçada e caiu e ferindo gravemente o olho direito. A recuperação levou 20 dias em casa.

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Já citamos na postagem “Como a mobilização pode representar a nossa causa.” um estudo realizado pelo Mobilize  pontuando as quatro piores calçadas do país aqui, em Salvador. Não encontramos estimativas do número de acidentados nos passeios públicos soteropolitanos, mas suspeitamos que o número não seja menos alarmante que o da capital paulista diante de tal pesquisa e nossa experiência cotidiana.

Outro acidente que ocorreu no Rio este ano levou a morte o cadeirante José Henrique da Silveira Brun, de 69 anos. José Henrique tinha acabado de deixar a esquina onde jogava dominó todos os dias e não conseguiu passar por uma calçada, por causa dos carros estacionados e dos buracos sendo obrigado a seguir pela rua. Ele estava sendo levado para casa por volta das 20h30 por um amigo, pelo canto da Rua dos Diamantes, em Rocha Miranda, quando aconteceu o acidente: “O rapaz da moto veio e pegou ele de frente”, contou um morador.

 

No dia 20 de abril de 2013 no Rio Grande do Norte, Natal, outro acidente fatal ocorreu e desta vez com um indivíduo sem qualquer limitação motora. Um caminhão deu ré em cima da calçada na Avenida Mor Gouveia, zona Oeste de Natal, e atropelou um homem, que morreu no local. O acidente aconteceu por volta das 6h30. Segundo testemunhas, o prestador de serviço da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) estava de costas na calçada e com fones de ouvido, quando foi atingido pelo veículo. O motorista do caminhão, Wilson Barros, permaneceu para prestar esclarecimentos à polícia.

Segundo o motorista, é comum estacionar na calçada onde aconteceu o acidente. “Foi uma fatalidade, a gente sempre estaciona os carros aqui. Eu passei, vi que não tinha ninguém na calçada e fiz a manobra.”

A justificativa do condutor é um fiel retrato da atual situação das calçadas no Brasil. Na maioria das cidades brasileiras há carros estacionados nas calçadas em quase todas as ruas. Pedestres passam espremidos ou pela pista. Muitas vezes, os motoristas estacionam colados aos muros simplesmente tomando para si o direito ao trânsito com segurança de milhares de pessoas. O pedestre, o mais frágil nesse ambiente, é colocado em situações de risco cotidianamente. Não há mais surpresa mesmo quando se percebem crianças, idosos, cadeirantes, gestantes e tantos outros que, em qualquer local, tem direito a atendimento preferencial disputando,espaço nas pistas com veículos. É o tipo de banalização que tem compactuado com tantos acidentes em nossas calçadas.

A falta do questionamento público e, sobretudo a impunidade frente ao desrespeito de leis básicas que prezam pela cidadania e boa mobilidade devem ser eliminadas como elementos comuns das vidas dos cidadãos. Devemos nos importar com todas essas questões afinal a vítima de toda essa problemática pode ser qualquer um de nós.

Movimento Passeio Livre Salvador

O perigo da incompetência

  O descaso é visível. Andar pela cidade de Salvador virou tarefa de alpinista e o Design Universal é algo desconhecido não somente pelos nossos governantes como também pela população.

  Mas acusar o descaso sem dados e provas do perigo que é se ter uma população que caminha pelas vias de carros é denunciar de boca fechada. Para dar força ao que o Movimento Passeio Livre Salvador vêm até o momento postando, fizemos uma análise de um documento achado no site http://www.mobilize.org.br feito pela SEINFRA (Secretária de Infraestrutura do Estado da Bahia) o qual possui o título: Síntese dos Resultados da Pesquisa de Mobilidade na Região Metropolitana de Salvador, iniciada no mês de setembro de 2012 e finalizada em maio de 2013. Trazemos aqui então informações que devem ser compartilhadas para servirem como provas da denúncia.

  Para tal pesquisa a Região Metropolitana de Salvador foi dividida em 232 zonas de pesquisa. Definiu-se que com zonas com menos de 500 domicílios, segundo os dados do IBGE, não seriam consideradas na elaboração do plano amostral. Desta forma das 232 zonas de tráfego definidas, 199 foram pesquisadas, pois essas atendem o critério da definido. Foram também sorteados endereços adicionais para a reposição dos domicílios substituídos.

Mapa da divisão; pág. 7 do documento
Mapa da divisão; pág. 7 do documento

Os resultados da pesquisa trazem que parcela significativa das viagens da RMS se faz por meio de ônibus municipal (31,5%), mas o modo mais utilizado é o modo a pé (35,3%).

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Excluídas as viagens que têm a residência como motivo no destino, obtém-se uma distribuição em que o motivo trabalho é o que mais se destaca, com 43,2% das viagens, seguido pelo estudo, com 25,8%. Os dois motivos juntos correspondem a 69% do total dos deslocamentos, como acontece na maioria das sociedades contemporâneas

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A renda familiar é a principal variável relacionada à mobilidade. Quanto maior a renda familiar, maior o número de viagens diárias realizadas por pessoa. Nota-se que a mobilidade varia de um mínimo de 1,44 viagens/pessoa/dia para pessoas pertencentes as classes econômica “E” até um máximo de 2,40 viagens/pessoa/dia para pessoas pertencentes a classe econômica “A”.

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A idade também tem grande relação com a mobilidade, na medida em que interfere nas atividades realizadas. As crianças até 9 anos e os idosos apresentam os valores menores de mobilidade. As crianças, porque não saem de casa com frequência. Os idosos têm baixa mobilidade devido às suas dificuldades físicas ou por estarem aposentados ou inativos.

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Agora serão divulgados dados mais importantes e alarmante: os acidentes. (Não houve texto explicativo na pesquisa portanto só serão divulgadas as tabelas)

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  Com esses dados, o nosso propósito de fortalece, pois ficamos sabendo que temos um público muito grande pra atender. São aproximadamente 2 milhões de baianos da RMS que sofrem e vivenciam os problemas de andar pelas nossas calçadas. Desse contingente imenso a maior parte é pai/mãe de família ou estudante das classes C, D e E que têm que caminhar para chegarem aos seus destinos já que não possuem o “privilégio”(é privilégio ter carro num trânsito imóvel?) de ter um carro. Essas pessoas têm que enfrentar diariamente um transporte coletivo precário, passeios destruídos ou inexistentes e ainda sofrerem com o trânsito que elas não promovem. Há ainda nossas crianças e idosos, que deveriam ser tratados com o maior zelo, mas recebem o contrário já que os seus níveis de mobilidade são baixos.

Como se tudo isso não bastasse os passeios podem se tornar assassinos ou vilões nas vidas de muitos. A maior parte dos acidentes que acontece na nossa região em relação a mobilidade é devido a queda em calçadas. Os maiores gastos com recuperação também. Mas na verdade até mesmo os passeios são vítimas. Os verdadeiros culpados são aqueles que tornam a sua incompetência um perigo à vida.

Movimento Passeio Livre Salvador

 

“Sucom está elaborando projeto de recuperação das calçadas de Salvador”. Sonho ou realidade?

  O responsável pela Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), Sílvio Pinheiro, falou nesta quarta-feira (7), em entrevista ao Metrópole Serviço, entre outros assuntos, sobre a ocupação das calçadas por mesas e cadeiras de estabelecimentos como bares e pizzarias.

O superintendente afirmou que um estudo profundo está sendo realizado, a pedido do prefeito ACM Neto, sobre as calçadas, para que seja elaborado um projeto de recuperação dos passeios públicos, através da fiscalização dos estabelecimentos que usufruem dos espaços. “É uma obrigação do proprietário do imóvel requalificar e manter suas calçadas. Pouca gente sabe disso, mas a legislação do município permite que a prefeitura notifique o cidadão para que ele ou a empresa corrija seus passeios e mantenha”, afirma Pinheiro.

Fonte: http://www.metro1.com.br/sucom-esta-elaborando-projeto-de-recuperacao-das-calcadas-de-salvador-5-35275,noticia.html

Comentário Movimento Passeio Livre:

É contraditório sabermos dessa informação já que por vezes contatamos a SUCOM e nos foi informado que o processo de administração das calçadas da Cidade não era sua responsabilidade. A iniciativa é ótima, mas parece estar no mundo das ideias, já que não são publicados dados prévios sobre o projeto, por exemplo, quando ele será finalizado, quais os bairros que serão atendidos e quais as principais intervenções pensadas (já que o problema não se resume a somente cadeiras).

É um começo, mas parece ser muito amador e não esperançoso.

 

 

Mobilidade a pé em Salvador

prefixo1Figura – Note o prefixo “GJW”, Governador Jacques Wagner.  Isto sim, é mobilidade!

Em Salvador ocorrem, diariamente, 3,7 milhões de deslocamentos por todos os modos e motivos, sendo que 54,5% desses deslocamentos são realizados através do transporte coletivo por ônibus e 28,3 % a pé. O veículo particular vem em seguida, com 13,8% e outras modalidades com 2,9% (TCBR, 1997). Segundo a mesma fonte, os resultados de pesquisas domiciliares realizadas anteriormente em Salvador, em 1975 e 1984, apontam os percentuais de viagens a pé de, respectivamente, 28,9% e 24,6%.

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O direito de ir e vir.

Por:  Jary Carvalho

O artigo 5º da Constituição Federal estabelece o que se convencionou a chamar de direito de ir e vir de todos os cidadãos brasileiros. Ou seja, qualquer pessoa, livre ou não de deficiência ou mobilidade reduzida, deve ter o direito de poder chegar facilmente a qualquer lugar. A liberdade a que me refiro neste caso, é aquela que possibilitaria com que caminhássemos pelos passeios públicos sem nos deparar com desníveis, buracos, inexistência de ligação entre ruas e calçadas, rampas fora dos padrões, lixeiras, pontos de ônibus, bancas de jornal, bueiros destampados, ambulantes e pisos escorregadios.

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Passeio público: Uma oportunidade de dinamizar o turismo na orla de Salvador

post turismo 1  Figura 1: Um expressivo conjunto arquitetônico, integrado pelo Solar, pela Capela de Nossa Senhora da Conceição, um cais privativo, aqueduto, chafariz, senzala e um alambique com tanques.

Uma das mais belas vistas da cidade de Salvador é reservada a região localizada na Av. Contorno, a área compreende diversas pontos onde visitantes podem contemplar atrações já consagradas pelo público soteropolitano. Entretanto, devido às más condições de trânsito pelo passeio público nessa e em outras regiões da cidade, além da má (ou ausência) de sinalização adequada, sua população e o público turista perdem um potencial de valor inestimável. Continuar lendo Passeio público: Uma oportunidade de dinamizar o turismo na orla de Salvador